A gente é muito hardcore.

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Sobre ser ou estar…

Vem cá, senta aqui, me fala um pouco sobre seu cotidiano e essa vida corrida e às vezes arrastada que você leva… Não sei, mas imagino que você é do tipo que se sente só quando termina um livro. Acredito que de uma forma meio turva e um pouco fugaz você acredita que aquelas estórias dos livros que lê podem acontecer.

Na vida real você se prende muito nos detalhes da conquista, quer ser perfeita, mas sempre fala demais, perde o tom, mostra sua transparência repleta de sinceridade e espontaneidade, acho que as pessoas não estão muito acostumadas com isso, à maioria opta por joguinhos, brincar de faz de conta, criam personagens. Mas você não, se quer convida, chama, se atreve… Se não quer, some e desliga o telefone, assim, meio sem dó, faz e pronto… Esta aí um problema a ser resolvido, se prende na conquista, mas se esquece de se permitir, se abrir de verdade, vai deixando passar, amornar, esfriar e vai embora, meio assim, sem mais nem menos, apenas vai. Sente saudades às vezes, mas continua indo, para onde não sabe…

Às vezes se sente só, mas justifica dizendo que é mais fácil lidar consigo mesma e organizar pensamentos quando se está sozinha. Não admite, mas é apenas uma mascara que veste para desfragmentar suas frustrações da vida adulta que escolheu. Não assume de jeito nenhum, mas morre de medo de ficar sozinha não literalmente, mas verdadeiramente, ou com alguém sem a menor sensibilidade e sem tato para entender as suas nuanças, o que seria o mesmo que estar sozinha.

Se veste na armadura de mulher segura, independente e dona da verdade, faz a linha “eu não me importo” ou “estou bem assim”, mas as vezes só as vezes gostaria de ter alguém para comprar algumas aspirinas quando estivesse com dor de cabeça e chegasse com uma barra de talento verde e um pote de sorvete de flocos nas crises voraz de carência camufladas confortavelmente de TPM.

Vai dizer que não acertei tudo. 😉

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Pessoas vêm e vão, acostume-se…

Difícil acreditar que você deixou de fazer parte das minhas prioridades, tínhamos tantas afinidades. Até pouco tempo você estava nos trends topics do meu coração, mas como tudo na vida passa você também passou, uma pena…

Já perdi as contas de quantos amores eternos e melhores amigos verdadeiros eu já tive e que atualmente não passam de feeds do facebook que não me causam nenhum efeito e talvez na melhor das hipóteses mensagens de feliz aniversário, manda um beijo para sua família e vamos marcar alguma coisa qualquer dia. Quando a gente liga a maquininha do tempo que arquiva as memórias é estranho entender que até pouco tempo atrás aquelas pessoas que representavam muita coisa hoje em dia não passam de boas memorias e só.

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Juro que algumas dessas eu gostaria de ter levado comigo para “sempre”, que gostaria de rir junto um pouco mais, que gostaria que fossem mais presentes, mas uma coisa é fato, o corre corre do dia a dia mina as relações, nossas prioridades mudam, objetivos também, e as pessoas acabam indo conforme a maré, por fim só sobrevive a essa guerra urbana e corrida aquelas relações que de fato tem peso na nossa vida, que dão suporte para seguirmos adiante, aquelas que estão sempre presentes mesmo de longe,  aquelas que não precisamos ver todos os dias, mas que quando encontramos percebemos que nada mudou.

Antes eu precisava de várias mãos para conseguir contar a quantidade de amigos, hoje acho que uma mão já basta para enumerar os essenciais. E tenho a impressão que com o passar dos anos esses números vão ficando cada vez mais escassos, em contrapartida, tem o novo, aqueles que esbarram a vida deles na nossa meio que sem querer e vão ficando, ficando e ficando.

No fim das contas eu até gosto dessa diversidade, dessas passagens, confesso que gosto mais das vindas do que das idas, mas vou seguindo com a certeza de que cada pessoa que passou deixou alguma coisa que fez com que eu me tornasse a pessoa que sou, e sou imensamente grata pela quantidade de memórias e saudade que deixaram. E fico aqui torcendo para que cada vez mais pessoas cheguem e fiquem e se não conseguirem ficar, deixem sua marquinha nas minhas lembranças…

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Apenas um contentamento descontente…

Ela abriu os olhos e demorou alguns segundos para se dar conta de onde estava, levantou-se da cama e se esforçou ao máximo para não fazer muito barulho, ficou observando ele dormir por alguns segundos, depois correu os olhos pelo quarto e lá estavam os copos com restos de alguma bebida e as guimbas de cigarro, apenas vestígios da noite passada. Cogitou a possibilidade de ficar mais um pouco, mas precisava ir, sem despedidas é melhor.

Não foi uma dessas transas casuais onde as pessoas se conhecem, transam e fim. Também não foi um desses relacionamentos duradouros, nem chegaram a namorar, nada avassalador que fizesse com que os pés saíssem do chão, mas ao menos renderam algumas borboletas no estômago, um encantamento repentino que surge com a mesma rapidez e intensidade com que vai se esvaindo no decorrer dos dias.

Um mundo novo ao qual ela apenas deu uma espiadela pela fresta de porta, achou interessante, mas descartou a possibilidade de entrar porta a dentro, preferiu continuar no seu cantinho. É mais fácil administrar as sensações antes de perder o controle delas, escolheu não ir longe demais, não se permitir. Não por medo ou covardia, apenas achou mais vantajoso sair de fininho antes que a magia acabasse e ele acordasse.

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Já se passaram 30 minutos de filme e ninguém sabe quem é o ator principal.

E o filme começou a ser rodado, no decorrer da história o roteiro foi sendo readaptado de acordo com as adversidades que surgiam pelo caminho. Outro problema decorrente era a escalação para o ator principal, apesar dos testes realizados, tivemos que colocar alguns atores coadjuvantes com a esperança de que a química fosse recíproca para ambas as partes e enfim ele fosse escalado para o posto mais almejado do filme, a estrela da vida dela.

Bem essa é a sinopse da história, no alto de seus 20 e tantos anos, ela ainda está nos primeiros 30 minutos de seu filme, e o ator principal ainda não deu as caras. Talvez tenha surgido assim timidamente ou tão rápido que ela nem se deu conta de que poderia ter sido aquele carinha com quem esbarrou uma ou duas vezes no metrô, ou aquele outro com quem trocou alguns olhares durante uma palestra na semana passada.

Isso sem falar dos coadjuvantes que mexeram com todos os seus sentidos de diferentes formas, por algum tempo ela até cogitou a possibilidade de que talvez fosse ele, até os defeitinhos até pouco tempo despercebidos e irrelevantes se tornarem algo imensamente irritante, dois passos para o fim, dois beijinhos e um até logo, na cabeça a indagação: “Acho que não era ele”.

Tiveram aqueles também que simplesmente desistiram dela. Alguns por motivos óbvios, outros por motivos ainda desconhecidos. Talvez a química não tivesse batido e a fórmula do bolo ficou solada.  Esses renderam algumas dores do cotovelo, alguns até arrisco dizer que a fizeram soltar algumas lágrimas durante as madrugadas, ligações depois da noite de cachaça e sms equivocadas.

Mas a procura não cessa, à medida que o tempo vai passando a exigência vai aumentando, ela desistiu dos caras bonitões e burros, e os inteligentes demais a deixam intimidada. E finalmente ela percebe que não importa quando ou se o ator principal vai chegar o que vale e não deixar o filme parar de rodar e jamais virar expectadora da sua própria história, além do mais pouco importa quem será o ator quando a estrela do filme já é ela.

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Desistir as vezes é uma opção favorável…

É muito fácil usar a filosofia do Chá pra lá e acreditar que tudo é muito fácil de resolver, que basta tomar um “chá” e pronto, fim dos problemas, mais fácil ainda é dar opinião e criticar as atitudes do “vizinho”, eu mesma sou ótima nisso, sempre tenho opinião e acho solução pra tudo, exceto quando se trata de mim, ai complica.

Sou critica e exigente por natureza, observadora nata e isso faz de mim alguém extremamente calculista, algumas pessoas chamam isso de frieza, eu prefiro denominar de cautela.

Desde já, quero dizer que esse texto não é uma auto biografia, a descrição acima é só para dar corpo ao que vem a seguir, a minha opinião sobre o assunto que eu quero abordar. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Já consideraram a opção de perder por W.O, melhor dizendo, de desistir do jogo algo sensato? Pode parecer covarde em algumas situações, mas para outras é a melhor opção. Sabe aqueles jogos de final de campeonato onde está tudo empatado, você perdeu algumas partidas o adversário também, e quando chega nos últimos jogos você sente seu corpo e mente completamente debilitados, já não sabe pra onde correr, não consegue pensar em nenhuma estratégia, e está tão cansado de dar o seu melhor e não obter os resultados almejados, que começa a cogitar a possibilidade de jogar tudo pro alto, mas a consciência sempre pesa, afinal foram anos de treinamento, e você pensa “como jogar tudo para o alto, perdi meu tempo em prol de nada. Já cheguei até aqui, agora vou até o final”.

Eu usei uma metáfora para ilustrar um pensamento que pode acontecer em diversas situações, seja ela no lado profissional ou emocional, Tudo na vida tem dois ou mais caminhos, quem tem que analisar se realmente vale à pena ir até o final é você, às vezes desistir é a melhor opção, não adianta ficar lutando e tentando corrigir o que não tem solução. O que sempre martela nossa cabeça é o “e se…” Tipo e se eu tivesse feito tal coisa será que teria tido um resultado diferente? Talvez, mas na maioria dos casos eu acredito que não, se você já tentou diversas vezes e não conseguiu chegar a lugar nenhum e não houve mudança, sinto lhe informar, que você vai continuar do mesmo jeito para sempre. Ainda mais se tratando de pessoas, ninguém muda por ninguém. Por isso a necessidade da sair do ciclo vicioso e abrir a cabeça para as possibilidades, nenhuma mudança é fácil, mas se não for feita você vai continuar infeliz pelas mesmas coisas e não adianta ficar reclamando.

Eu já trai minha opinião varias vezes por causa do maldito “e se…” e aprendi depois de muito quebrar a cara que o “e se…” não me leva a lugar algum, entendi que se algo não muda depois de diversas tentativas é porque não mudará nunca. De todos os males o pior é a rotina o costume, mas se conformar com algo por isso não vale a pena.

Deixar o conformismo e o medo de tentar o novo é uma opção favorável, e no fim você percebe que não há nada melhor que sentir seu corpo e mente vibrando pelo desconhecido, o novo.

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